O Que Deve Acontecer? ~ Juliet K. Morgan

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O Que Deve Acontecer? ~ Juliet K. Morgan

Mensagem  Juliet M. Grigori em Ter Jul 24, 2012 12:28 pm

O que deve acontecer?
Prólogo

“Já chega!” disse Hades, furioso “Nos obrigou a fazer uma maldita promessa e é o primeiro a quebrá-la!” O senhor dos mortos lançava essas palavras com ódio sobre o Deus dos céus.
“Se acalme, irmão!” Zeus disse, mais alto do que qualquer um dos berros de Hades, apesar de não alterar a voz. “Sim, quebrei a promessa e admito, mas minha filha já foi tirada de mim, de maneira que esse assunto já devia ter-se encerrado.”
“ Ah, mas é muita cara de pau!” O rei do Submundo não se dava por si naquela fúria “Querendo fugir do assunto para se livrar do fardo...”
“ Meu senhor e marido, acalme-se, antes que Zeus lance um raio sobre nós!” Perséfone falou receosa, agarrando-se ao braço de Hades.
“ E tem m...” Ele continuava dizendo, até ouvir as palavras de Perséfone. “Não... Tem razão, Perséfone.” E cruzou os braços, fazendo uma carranca que fez até mesmo Ares, que até então se deliciava com a discussão entre seu pai e seu tio, tremer. E formou-se um silêncio absoluto. Até...
“Ai, George, para de subir em cima de mim!” Ouviu-se uma voz, vinda de Hermes. “Deixa eu falar de uma vez!”
“George, Martha, o que vocês querem me dizer agora? Não vêem que estou em uma reunião importantíssima?” Hermes se irritou por suas pequeninas cobras terem quebrado o silêncio.
“O porteiro deixou na caixa postal que tem um pacote subindo nesse momento para vocês.” disse Martha.
“Hm... vou lá buscar, se não se importarem. Aqui está um tédio mesmo!” Soltou Apolo.
“Não se preocupe!” Disse Hermes, que, com um estalo de dedos, convocou o pacote, que apareceu em sua mão.
“ Que será isso?” Perguntou Poseidon, que estava, a momentos atrás, com a cabeça encostada em seu trono.
“Deve ser algo interessante!” Disse Aphrodite, tão entusiasmada quanto Apolo por ter algo para fazer.
“Deixa eu ver!” Disse Apolo, claramente cheio de curiosidade, tomando o pacote das mãos de Hermes e rasgando o embrulho pardo. “Ahn... Livros? Ok, já temos o presente da nossa Atheninha querida. Agora, cadê o meu?”
Alguns deuses explodiram em risadinhas, especialmente Athena, que lançava olhares muito estressados à Apolo, e Ártemis, que deu um tapa na cabeça do irmão e disse:
“Se você não fosse tão idiota, teria visto o bilhete que caiu!” E apanhou o bilhete, lendo-o em voz alta:

“Aos Deuses do Olimpo
600º andar,
Empire State Building,
Nova York.”
“É só?” Não se conteve Héstia, que, apesar de não participar oficialmente do conselho, era muito querida e todos prestavam atenção em suas opiniões.
“É, maninha. Se você não fosse tão idiota, teria visto que tem coisas escritas no verso do bilhete!” Apolo disse, somente para infernizar sua irmã, levando desta um tapa na cabeça.

“Como vão, meus queridos Deuses do Olimpo?
Bom, como não mandei os livros para falar isso, vou direto ao ponto.
No momento em que vocês abriram este pacote,
meu poder de parar o tempo entrou em ação.
Estes livros dizem respeito ao futuro,
mas vocês não poderão mudar nada do que está escrito,
pois isso afetará o futuro de vocês drasticamente.
Não poderão sair desta sala até terminarem todos os cinco livros,
e, ao final da leitura,
vocês não se lembrarão de nada.
Ah, e agora não dá para voltar atrás, sinto muito.
Abraços do amigo Morfeu.”


“Não acredito!” Gritou Hades, sua voz ressoando mais do que nunca no silêncio do mundo lá embaixo “Tragam para nós o engraçadinho! Ele será destinado à pior das torturas!”
“Infelizmente, irmão, ele não morreu e nem pode para ser mandado para o Submundo.” disse Poseidon, até agora pouco tendo interagido com sua família.
“E qual são os títulos dos livros?” Perguntou Dioniso parecendo extremamente entediado
“ ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ é o começo de todos os títulos, mas, tirando isso,” Poseidon ofegou à menção do sobrenome da garota com a qual ele havia se envolvido a algum tempo, mas ninguém percebeu. Haveria alguma ligação do garoto com sua última paixão terrestre? são ‘O Ladrão de Raios’, ‘O Mar de Monstros’, ‘A Maldição do Titã’ ‘A Batalha do Labirinto’ e ‘O Último Olimpiano’.” E assim terminou Apolo terminou de citar os títulos, deixando todos um pouco receosos.
“Vamos realmente ler isso?” Ares perguntou, impaciente
“Não tem como voltar atrás e não saímos daqui sem ter lido tudo! Vamos ter que ler então.” Disse Hermes.
“Ok, eu começo!” Disse Apolo, meio animado por ter algo menos tedioso do que ouvir a briga de seu pai e de seu tio para fazer.
E, após pigarrear e dizer novamente o título do livro 1, citou o capítulo:
“Sem querer, transformo em pó minha professora de iniciação à álgebra”


Juliet Morgan Grigori

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Re: O Que Deve Acontecer? ~ Juliet K. Morgan

Mensagem  Juliet M. Grigori em Ter Jul 24, 2012 1:32 pm

O que deve acontecer?
Sem querer, transformo em pó minha professora de iniciação à Álgebra.
“Uou, realmente é um nome legal para um capítulo! Eu adoraria transformar em pó minha professora de iniciação à álgebra!” comentou Ares, tentando parecer sarcástico, apesar de todos saberem que era realmente algo que ele gostaria de fazer e algo que realmente faria.
“Isso não iria acontecer.” Disse Aphrodite, olhando carinhosamente para o amante, e falando como se estivesse consolando uma criança que perdeu seu cachorrinho. “Você nunca vai ter aula de iniciação à Álgebra!”
“Pode ler, por favor, Apolo?” Disse Hephaestus, estressado com sua esposa por estar “confraternizando” com o amante e atrapalhando a leitura.
Apolo, reconhecendo sua deixa, começou a ler.

Olhe, eu não queria ser um meio-sangue.

“De fato, um bom começo, não? Ser um semideus não é muita sorte, considerando ser perseguido por monstros durante toda a vida” Hermes comentou. De repente, Dioniso, que parecia estar anestesiado, deu um pulo de seu trono.
“Semideus? Mais um para eu aguentar naquele acampamento? O que vai ser de mim?” E continuou resmungando, recebendo um olhar reprovador de Zeus.

Se você está lendo isto porque acha que pode ser um, meu conselho é o seguinte: feche este livro agora mesmo. Acredite em qualquer mentira que sua mãe ou
seu pai lhe contou sobre seu nascimento, e tente levar uma vida normal.


“Duvido que isso fosse funcionar por muito tempo. Mesmo se você não percebe que é um meio-sangue, os monstros ao seu redor iam perceber.” Disse Athena ao livro, como se fosse a coisa mais idiota que ela ouvisse em séculos.
“Licença, Atheninha, amor da minha vida, mas você está tentando falar com um livro.” Disse Apolo, fazendo algumas risadas rodarem a sala e Athena ficar vermelha, provavelmente preparando uma resposta forte para calar a boca do irmão.
“Não zoe ela, Apolo. Duvido que ela seja a única a fazer isso durante a leitura.”Héstia repreendeu o sobrinho.
Depois de receber um olhar agradecido de Athena, ela fez sinal para Apolo continuar a leitura.

Ser um meio-sangue é perigoso.

“Ah, não me diga!” Disse Hades, que até então tinha mantido sua carranca e comentava pela primeira vez, com desdém.

É assustador. Na maioria das vezes, acaba com a gente de um jeito penoso e detestável.

“Nossa, esse menino coloca as coisas de um jeito muito forte!” Disse Hera, também comentando pela primeira vez.
“Bom, não deixa de ser verdade.” disse Deméter, fazendo crescerem em seu trono algumas flores silvestres.

Se você é uma criança normal, que está lendo isto porque acha que é ficção, ótimo. Eu o invejo por ser capaz de acreditar que nada disso aconteceu.
Mas se você reconhecer nessas páginas – se sentir alguma coisa emocionante lá dentro -, pare de ler imediatamente. Você pode ser um de nós. E, uma vez que você fica sabendo disso, é apenas uma questão de tempo antes que eles também sintam isso, e venham atrás de você.
Não digam que eu não avisei.


“Nossa, que menino legal para falar as coisas!” Disse Hera, ficando um pouco estressada com a maneira do menino de tratar desses assuntos. “Aposto que assustaria todas as crianças que perguntassem sobre isso para ele! Ele devia ser mais carinhoso!”
“Como se você pudesse falar muito sobre carinho.” Murmurou Hefesto, baixo demais para que sua mãe ouvisse.

Meu nome é Percy Jackson.
Tenho doze anos de idade. Até alguns meses atrás, era aluno de um internato, na Academia Yancy, uma escola particular para crianças problemáticas do norte do estado de Nova York.


“Descobriu com 12 anos? Há! Sorte a dele!” Exclamou Ares.
“Será que se importam? Ainda estou na segunda página!” Disse Apolo, já estressado pelas interrupções.
“Desculpe, Apolo.” Disse Aphrodite pelo seu namorado.
Revirando os olhos, Apolo continuou sua leitura.

Se eu sou uma criança problemática?
Sim. Pode-se dizer isso.


“Nossa, ele aceitou sua situação fácil.” Disse Hermes. “Muitos ficaram depressivos, sabe...”
Mais uma revirada de olhos e a leitura continuou.

Eu poderia partir de qualquer ponto da minha vida curta e infeliz para prová-lo, mas as coisas começaram a ir realmente mal no último mês de maio, quando nossa turma do sexto ano fez uma excursão a Manhattan – vinte e oito crianças alucinadas e dois professores em um ônibus escolar amarelo indo para o Metropolitan Museum of Art, a fim de observar velharias gregas e romanas.

“Coitado.” Disseram Ares e Hermes juntos.
“Ignorantes.” Disse Athena, olhando com raiva para os dois.
“Ok, eu desisto de ler!” Disse Apolo, verdadeiramente irritado.
“Não, não, continue!” Disse Zeus, e Apolo continuou a leitura, dizendo:
“Espero sinceramente não ser interrompido tanto.”

Eu sei, parece tortura. A maior parte das excursões da Yancy era mesmo.
Mas o sr.Brunner, nosso professor de latim, estava guiando essa excursão, assim eu tinha esperanças.
O sr.Brunner era um sujeito de meia idade em uma cadeira de rodas motorizada. Tinha o cabelo ralo, uma barba desalinhada e usava um casaco surrado de tweed que sempre cheirava a café. Talvez você não o achasse legal, mas ele contava histórias e piadas e nos deixava fazer brincadeiras em sala. Também tinha uma impressionante coleção de armaduras e armas romanas, portanto era o único professor cuja aula não me fazia dormir.


“Interessante, essa descrição me lembra alguém...” Hermes comentou, tentando se lembrar.
“Sim, a mim também. Lembra-me Quíron, ele é perfeitamente igual à descrição quando está transformado.” Disse Poseidon.
“Sim, creio que seja ele, mas para estar lá, Percy deve ser um semideus importante.” Disse Dionísio, olhando para cada um dos três grandes. Sabia que o garoto seria filho de algum deles.

Eu esperava que desse tudo certo na excursão. Pelo menos tinha a esperança de não me meter em encrenca dessa vez.

“Isso nunca é a coisa certa a se dizer” Disse Ares, claramente encantado de algo dar errado na história.

Cara, como eu estava errado.
Entenda: coisas ruins me acontecem em excursões escolares. Como na minha escola da quinta série, quando fomos para o campo da batalha de Saratoga, e eu tive aquele acidente com um canhão da Revolução Americana.


Ares explodiu em risadas, no que foi fortemente repreendido pelos olhares dos outros deuses presentes na sala.
“Ah, vão me dizer agora que não teria sido alguma coisa engraçada de se ver?”
Apolo pediu silenciosamente para uma maçã para Deméter e em seguida o fruto estava atingindo a cabeça de um Ares que ria histericamente, mas em seguida
olhou com raiva para Apolo, que retribuiu o olhar e tornou a fazer a leitura.

Eu não estava apontando para o ônibus da escola, mas é claro que fui expulso do mesmo jeito.
E antes disso, na escola da quarta série, quando fizemos um passeio pelos bastidores do tanque dos tubarões do Mundo Marinho, e eu, de alguma forma, acionei a alavanca errada no passadiço e nossa turma tomou um banho inesperado. E antes disso... Bem, acho que já dá para vocês terem uma ideia.


E nesse momento, Dioniso e Hermes ergueram os olhos para Poseidon, que parecia um pouco desconfortável. Eles haviam percebido tudo antes de que qualquer
outro Deus pudesse notar.

Nessa viagem, eu estava determinado a ser bonzinho.
Ao longo de todo o caminho para a cidade aguentei Nancy Bobofit, aquela cleptomaníaca ruiva e sardenta, acertando a nuca do meu melhor amigo, Grover,


“GROVER? O sátiro inútil que deixou minha filha morrer ao invés de levá-la a salvo para o acampamento, como era sua missão?” Zeus explodiu, e escutava-se fortes trovões do lado de fora da sala. “Como pode você mandá-lo novamente em uma missão?!”
“Grover não é um sátiro inútil, irmão. Ele apenas fez o que Thalia mandou que fizesse.” Disse Poseidon, mesmo ele mesmo estando receoso de Grover ser o protetor de seu filho.
“E mesmo assim a alma dela não está nos meus domínios.” Resmungou Hades.
Antes que uma discussão como a primeira começasse, Apolo pôs-se a ler rapidamente, para impedir aos outros de o interromperem.

com pedaços de sanduíche de manteiga de amendoim com ketchup.

“Eca!” Exclamaram Aphrodite, Deméter, Hera e Perséfone, fazendo os garotos revirarem os olhos, especialmente Apolo, que leu ainda mais rápido para ver se seu plano funcionava dessa vez.

Grover era um alvo fácil. Ele era magrelo. Chorava quando ficava frustrado. Devia ter repetido o ano muitas vezes, pois era o único do sétimo ano que tinha espinhas e uma barba rala começando a nascer no queixo. E, ainda pior, era aleijado. Tinha um atestado que o dispensava de Educação Física pelo resto da vida, porque tinha algum tipo de doença muscular nas pernas. Andava e um jeito engraçado, como se cada passo doesse, mas não se deixe enganar por isso. Você precisava vê-lo correr quando era dia de enchilada na cantina.

“Esse sátiro um dia acaba se entregando.” Disse Zeus, ainda um pouco zangado.
“Esses sátiros sofrem, não é? Usar pés falsos deve ser extremamente irritante. Pobres sátiros.” Disse Hera, e Dioniso confirmou fortemente com a cabeça. A madrasta sorriu, sabendo que o Deus dos vinhos, apesar de reclamar tanto da vida como diretor do Acampamento Meio-Sangue, adorava os pequenos faunos tocadores de flauta por lá.

De qualquer modo, Nancy Bobofit estava jogando bolinhas de sanduíche que grudavam no cabelo cacheado dele, e ela sabia que eu não podia revidar, porque já estava sendo observado, sob o risco de ser expulso. O diretor me ameaçava de morte com uma suspenção “na escola” (ou seja, sem poder assistir às aulas mas tendo de comparecer à escola e ficar trancado numa sala fazendo tarefas de casa) caso alguma coisa ruim, embaraçosa ou até moderadamente divertida acontecesse durante a excursão.
- Eu vou matá-la – murmurei.
Grover tentou me acalmar.
- Está tudo bem. Eu gosto de manteiga de amendoim.
Ele se esquivou de outro pedaço de lanche de Nancy.
- Agora chega. – Comecei a me levantar, mas Grover me puxou de volta para o assento.


“Que menino mais popó! Não tem força para lutar contra um sátiro nem para se livrar da irritação!” Resmungou Ares, recebendo olhares raivosos de Poseidon, Dionisio (apesar de estar indignado apenas por subtender a crítica sobre a força dos sátiros), Hera e Ártemis e olhares de meio sem esperança de Hermes e Aphrodite. Ele tinha esperanças de que Percy poderia ser seu filho, não tinha prestado a mesma atenção de Hermes e Dioniso.

- Você já está sendo observado – ele me lembrou – Sabe que será culpado se acontecer alguma coisa.
Quando me lembro daquilo, preferiria ter acertado Nancy Bobofit no ato. A suspensão não teria sido nada comparada com a encrenca que em que eu estava prestes a me meter.


“E é claro que, depois de tudo acontecer, ele vai ficar resmungando.” Pensou Ares, realmente estressado por aquele menino não ser o seu filho. Assustou-se com aquele pensamento, pois era mais normal ele se irritar por ter de reconhecer um filho.

O sr.Brunner guiou o passeio pelo museu.
Ele foi na frente em sua cadeira de rodas, conduzindo-nos pelas grandes galerias cheias de ecos, passando por estátuas de mármore e caixas de vidro repletas de cerâmica muito velha laranja e preta.


Athena soltou um suspiro ao pensar em toda essa arte antiga a ser abandonada em um museu, empoeirando até o mesmo deixar de existir, levando as peças com ele.

Eu ficava alucinado só de pensar que aquelas coisas tinham sobrevivido por dois mil, três mil anos.

“Qualquer um ficaria, mas você errou em alguns milhares de anos, querido” Pensou Athena carinhosamente, de uma maneira que a deixou um pouco assustada. De onde surgira o ‘querido’? Ela nunca fora uma mulher amorosa e pegajosa, nem mesmo com seus próprios filhos, mas Percy, um garoto que obviamente não era seu filho, havia despertado um bizarro carinho no fundo da alma da Deusa da Sabedoria.

Ele nos reuniu em volta de uma coluna de pedra com quatro metros de altura e uma grande esfinge no topo, e começou a explicar que aquilo era um marco tumular, uma estela, feita para uma menina mais ou menos da nossa idade. Contou-nos sobre as inscrições laterais. Estava tentando ouvir o que ele tinha a dizer, porque era um pouco interessante, mas todos ao meu redor estavam falando, e cada vez que eu dizia para calarem a boca,

“Esses ‘coleguinhas’ do garoto devem ser realmente muito chatos para ele querer ouvir as histórias de Quíron!” Disse Apolo, interrompendo a própria leitura. Athena revirou os olhos e murmurou um baixo ‘idiota!’, enquanto Ártemis dava um tapa na testa do irmão e dizia:
“Ô, idiota, o menino queria ouvir a história! Não presta atenção nem no que lê.”
Apolo soltou uma risada e revirou os olhos, tomando novamente a leitura.

a outra professora que nos acompanhava, a sra. Dodds, me olhava de cara feia.
A sra. Dodds era aquela professorinha de matemática


“Ah, essa é a mulher que o moleque vai explodir!” Disse Ares, sem esconder sua excitação dessa vez.
Recebeu um olhar zangado da maioria dos Deuses na sala e percebeu que deveria se calar.

da Geórgia que sempre usava um casaco de couro preto, apesar de ter cinquenta anos de idade. Parecia má o bastante para entrar com uma moto Harley bem dentro do seu armário. Tinha chegado em Yancy no meio do ano, quando nossa última professora de matemática teve um colapso nervoso.

Hades engoliu em seco ao ouvir a descrição e sentiu Perséfone, ao seu lado, fazer o mesmo. Ambos conheciam aquela criatura, mas por qual motivo ele, Hades, a mandaria atrás do garoto? Nesse momento, Poseidon o olhava muito desconfiado, quase reconhecendo o monstro citado também.

Desde o primeiro dia, a sra. Dodds adorou Nancy Bobofit e concluiu que eu tinha sido gerado pelo diabo. Ela me apontava o dedo torto e dizia: “Agora, meu bem”, com a maior doçura, e eu sabia que ia ficar detido depois da aula por um mês.

Apolo se interrompeu para dar uma risada escandalosa, sendo seguido segundos mais tarde por Ares e recebendo olhares de repreensão vindos de Athena, Ártemis, Héstia e Hera. Hades soltou uma risadinha, pois sabia que quando uma de suas Fúrias dissesse algo doce, nada de bom estaria por vir.

Certa vez, quando ela me fez apagar as respostas em antigos livros de exercícios de matemática até meia-noite, disse a Grover que achava que a sra. Dodds não era gente. Ele olhou para mim, muito sério, e disse:
- Você está certíssimo.
O sr. Brunner continuou falando sobre arte funerária grega.
Finalmente, Nancy Bobofit, abafando o riso, falou algo sobre o sujeito pelado na estela, e eu me virei e disse:
- Quer calar a boca?
Saiu mais alto do que eu pretendia.
O grupo inteiro deu risada. O sr. Brunner interrompeu sua história.


“Bom, se eu sei de alguma coisa sobre Quíron é que ele odeia ser interrompido durante uma história.” disse Dionísio

- Sr. Jackson – disse ele -,fez algum comentário?
Meu rosto estava completamente vermelho. Eu disse:
- Não, senhor.


“Ah, e com certeza essa aí vai colar.” Disse Ares, com uma risadinha.
Apolo encarou-o até ele se tocar e calar a boca. Mas, um milésimo de segundo depois de Ares ter baixado rosto, todos os Deuses da sala, à exceção do Deus da Guerra e de um indignado Deus da Profecia, explodiram em risadas.
Levou algum tempo até os outros Deuses finalmente pararem de rir, e assim Apolo continuou a história.

O sr. Brunner apontou para uma das figuras na estela.
- Talvez possa nos dizer o que esta figura representa.
Olhei para a imagem entalhada e senti uma onda de alívio, por que de ato a reconhecera.
- É Cronos comendo os filhos, certo?


Zeus, Poseidon, Hades, Hera, Deméter e Héstia soltaram um gemido ao se lembrar da situação vivida a alguns milhares de anos,
“Ainda me lembro de como era repugnante.” Poseidon disse, tendo sido o primeiro a conhecer o estômago do pai.
Os deuses, a exceção de Zeus, que não havia sido engolido, tremeram.

- Sim – disse o sr. Brunner, e obviamente não estava satisfeito. – E ele fez isso porque...
- Bem... – eu quebrei a cabeça para me lembrar. – Cronos era o deus-rei e...
- Rei? – perguntou o sr. Brunner.


“DEUS?” disseram todos na sala, indignados com o imenso erro do garoto.

- Titã – eu me corrigi. – E... ele não confiava nos filhos, que eram os deuses. Então, hum, Cronos os comeu, certo? Mas sua esposa escondeu o bebê Zeus e deu a Cronos uma pedra para comer no lugar dele. E depois, quando Zeus cresceu, ele enganou o pai, Cronos, e o fez vomitar seus irmãos e irmãs...
- Eca! – disse uma das meninas atrás de mim.
- ...e então houve aquela grande briga entre os deuses e os titãs – continuei -, e os deuses venceram.
Algumas risadinhas do grupo.


“Ah, decididamente Quíron não vai ficar feliz com esse resuminho mal feito.” Disse Héstia, se manifestando de uma maneira que surpreendeu a maioria dos Deuses, com exceção de seus irmãos, que sabiam que ela era muito próxima do meio irmão.

Atrás de mim, Nancy Bobofit murmurou para uma amiga:
- Como se fôssemos usar isso na vida real. Como se fossem falar nas nossas entrevistas de emprego: ”Por favor explique porque Cronos comeu seus filhos.”


Após essa frase todos os deuses soltaram vários comentários. Nenhum deles simpatizara com a garota, especialmente Poseidon e Dioniso.
“Na realidade, a importância disso é maior do que sua cabecinha oca poderia entender” Disse o deus das festas, com uma expressão de nojo.
“Mas não é algo que você vai chegar a descobrir. Duvido muito que você chegue a ter uma entrevista de emprego, com essa inteligência medíocre.” Disse Poseidon, fazendo uma cara de nojo, se possível, pior do que a de Dioniso.

-E porque, sr. Jackson - disse o sr. Brunner -, parafraseando a excelente pergunta da srta. Bobofit, isso importa na vida real?
- Se ferrou – murmurou Grover.


“Tá, eu te garanto que essa ele não sabe!” Athena disse, ainda amargurada com a última visita a seus filhos, na qual eles mesmos não souberam responder à pergunta, com exceção de uma garotinha, Annabeth.

- Cala a boca - chiou Nancy, a cara ainda mais vermelha que seu cabelo.
Pelo menos Nancy também foi enquadrada. O sr. Brunner era o único que a pegava dizendo algo errado. Tinha ouvidos de radar.


“Haha, é mesmo. Uma vez ele me pegou tentando arranjar um encontro para ele com os parentes.” Disse Apolo, interrompendo a própria leitura com uma cara de nostalgia.

Pensei na pergunta dele, e encolhi os ombros.
- Não sei, senhor./b]

“Unn, essa pergunta é mesmo meio difícil, né? Por que ele nem sabe que é um semideus.” Ártemis tentou ser compreensiva com o garoto.
Athena apenas bufou e olhou em direção a Apolo, que tornou a ler.

[b]- Entendo. - O sr. Brunner pareceu desapontado. - Bem, meio ponto, Sr. Jackson. Zeus, na verdade, deu a Cronos uma mistura de mostarda e vinho, o que o fez vomitar as outras cinco crianças, que, é claro, sendo deuses imortais, estavam vivendo e crescendo sem serem digeridas no estômago do titã. Os deuses derrotaram o pai deles, cortaram-no em pedaços com sua própria foice e espalharam os restos no Tártaro, a parte mais escura do Mundo Inferior. E com esse alegre comentário, é hora do almoço. Sra. Dodds, quer nos levar de volta para fora?


Todos os deuses da sala soltaram risadinhas do comentário do centauro.

A turma foi retirada, as meninas segurando a barriga, os garotos empurrando uns aos outros e agindo como bobões.
Grover e eu estávamos prestes a segui-los quando o sr. Brunner disse:
- Sr. Jackson.


“Ihh, ferrou pro garoto.” disse Ares, deliciado, recebendo um olhar raivoso de Poseidon.

Eu sabia o que vinha a seguir.
Disse a Grover para ir andando. Então me voltei para o professor.
- Senhor?
O sr. Brunner tinha aquele olhar que não deixa a gente ir embora - olhos castanhos intensos que poderiam ter mil anos de idade e já ter visto de tudo.


“Porque é literalmente essa a idade desses olhos, dãa.” disse Hermes, fazendo mais uma rodada de risadinhas começar.

- Você precisa aprender a responder à minha pergunta - disse ele.
- Sobre os titãs?
- Sobre a vida real. E como seus estudos se aplicam a ela.
- Ah.


“Uou, uma resposta profunda!” Hermes comentou mais uma vez, desta vez ele próprio não controlando a risada.

- O que você aprende comigo - disse ele - é de uma importância vital. Espero que trate o assunto como tal. De você, aceitarei apenas o melhor, Percy Jackson.
Eu queria ficar zangado, aquele sujeito me pressionava demais.


“Mas sem essa pressão, como você vai aprender?” perguntou Athena ao livro.

Quer dizer, claro, era legal em dias de torneio, quando ele vestia uma armadura romana,bradava “Olé!” e nos desafiava, ponta de espada contra o giz a correr para o quadro-negro e citar pelo nome cada pessoa grega ou romana que já viveu, o nome de sua mãe e que deuses cultuavam.

“Acho que se eu tivesse um professor, iria querer que a aula dele fosse tão divertida quanto a de Quíron.” Disse Ártemis, pensativa.

Mas o sr. Brunner esperava que eu fosse tão bom quanto todos os outros a despeito do fato de que tenho dislexia e transtorno do déficit de atenção, e de que nunca na vida tirei uma nota acima de C-. Não - ele não esperava que eu fosse tão bom quanto; ele esperava que eu fosse melhor. E eu simplesmente não podia aprender todos aqueles nomes e fatos, e muito menos escrevê-los direito.

“Se você não aprender, não vai sobreviver.” Disse Ares, tentando dar uma de responsável, mas seus olhos deixavam claro que a parte do não sobreviver seria por
conta dele.

Murmurei alguma coisa sobre me esforçar mais, enquanto o sr. Brunner lançava um olhar longo e triste para a estela, como se tivesse estado no funeral daquela menina.

“É bem provável que ele tenha mesmo ido. Coitado...” disse Aphrodite, e Héstia concordou silenciosamente.

Ele me disse para sair e comer meu lanche.
A turma se reuniu nos degraus da frente do museu, de onde podíamos assistir ao trânsito de pedestres pela Quinta Avenida.
Acima de nós, uma imensa tempestade estava se formando, com as nuvens mais escuras que eu já tinha visto sobre a cidade.


Todos os deuses, quase por reflexo, viraram o rosto em direção a Zeus, que com uma cara pensativa disse:
“Imagino o motivo para eu estar tão zangado.”

Imaginei que talvez fosse o aquecimento global ou qualquer coisa assim, porque o tempo em todo o estado de Nova York estava esquisito desde o Natal. Tivemos nevascas pesadas, inundações, incêndios nas florestas causados por raios. Eu não teria ficado surpreso se fosse um furacão chegando.

“Bom, é, pelo visto nós dois estamos com muita raiva” disse Poseidon, pensativo também.

Ninguém mais pareceu notar. Alguns dos garotos estavam jogando biscoitos para os pombos. Nancy Bobofit tentava afanar alguma coisa da bolsa de uma senhora e, é claro, a sra. Dodds não via nada. Grover e eu nos sentamos na beirada do chafariz, longe dos outros. Pensamos que, se fizéssemos isso, talvez ninguém descobrisse que éramos daquela escola- a escola para esquisitões lesados que não davam certo em nenhum outro lugar.

Ares soltou uma risadinha de desdém, mas as deusas, entre elas as surpresas Ártemis e Athena, ficaram sentidas pelo garoto e pelo sátiro.

- Detenção? - perguntou Grover.
- Não - disse eu. - Não do Brunner. Eu só gostaria que ele às vezes me desse um tempo. Quer dizer, não sou um gênio.
Grover não disse nada por algum tempo. Então, quando achei que ele ia me brindar com algum comentário filosófico profundo para me fazer sentir melhor, ele disse:
- Posso comer sua maçã?


Todos riram.
“Decididamente, um comentário filosófico digno.” Disse Hermes, com uma cara séria que ele não pôde manter por muito tempo, com todas as risadas ao seu redor.

Eu não estava com muito apetite, então a entreguei a ele.
Observei os táxis que passavam descendo a Quinta Avenida e pensei no apartamento de minha mãe, na área residencial próxima ao lugar onde estávamos sentados. Eu não a via desde o Natal. Tive muita vontade de pular em um táxi e ir para casa.


“Não, decididamente não daria certo. Se ela se preocupa com você irá mandá-lo de volta” Disse Hera.

Ela me abraçaria e ficaria contente de me ver, mas também ficaria desapontada. Imediatamente me mandaria de volta para Yancy e me lembraria que preciso me esforçar mais, ainda que aquela fosse minha sexta escola em seis anos e que, provavelmente, eu seria chutado para fora de novo. Não conseguiria suportar o olhar triste que ela me lançaria.

“Awwnt!” Fizeram as garotas, à exceção de Ártemis e Athena,que suspiraram somente. Os garotos reviraram os olhos diante da reação das garotas.

O sr. Brunner estacionou a cadeira de rodas na base da rampa para deficientes. Comia aipo enquanto lia um romance. Um guarda-chuva vermelho estava enfiado nas costas da cadeira, fazendo-a parecer uma mesa de café motorizada.
Eu estava prestes a desembrulhar meu sanduíche quando Nancy Bobofit apareceu diante de mim com as amigas feiosas - imagino que tivesse se cansado de roubar dos turistas - e deixou seu lanche, já comido pela metade, cair no colo de Grover.


“Que garota detestável! ”disse Dionisio, irritado com as provocações da garota contra o sátiro.

- Oops. - Ela arreganhou um sorriso para mim, com os dentes tortos. As sardas eram alaranjadas, como se alguém tivesse pintado o rosto dela com um spray de Cheetos líquido.

“Essa precisa urgentemente de um tratamento de pele e um bom protetor solar, além de um bom dentista!” Disse Aphrodite, recebendo a concordância entusiasmada de Hera e a tímida concordância de Perséfone.

Tentei ficar calmo. O orientador da escola me dissera um milhão de vezes: "Conte até dez, controle seu gênio." Mas estava tão furioso que me deu um branco. Uma onda rugia nos meus ouvidos.

No momento em que Apolo leu a palavra onda, todos os deuses, inclusive ele mesmo, ergueram os olhos para encarar Poseidon, que nesse momento encarava seus própios pés. Dentre todos, os olhares de Hades e Zeus eram mais marcantes.

Não me lembro de ter tocado nela, mas quando dei por mim Nancy estava sentada com o traseiro no chafariz, berrando:
-Percy me empurrou!
A sra. Dodds se materializou ao nosso lado. Algumas das crianças estavam sussurrando:
-Você viu...
-...a água...
-...parece que a agarrou...


E todos na sala fitavam os três irmãos. Zeus, com uma cara furiosa, que fez todos os deuses, à exceção de seus dois irmãos, se encolherem. Hades tinha na face uma feição de desdém contido. Poseidon agora levantava o rosto, corajoso. Não tinha receio nem medo em sua face, somente aceitação.
“Ora, ora, quem diria... Parece que eu fui o único aqui que respeitou a maldita promessa. Estou realmente surpreso!” Disse Hades
“POSEIDON!” Berrou Zeus se levantando. “PELO VISTO NÃO FUI O ÚNICO A QUEBRAR A PROMESSA!”
“Não mesmo.” Disse Poseidon, que agora tinha na face um sorriso alegre. Tinha tido um filho com a garota que ele mais amou, Sally Jackson. “Decididamente não.”
“Não brinque, Poseidon!” Zeus gritava. “Seu filho Percy Jackson não merece a vida! Deve ser entregue à Hades nesse instante! Isso não existe! E agora, Hades, você pode buscar sua nova alma, e eu espero que a submeta a pior tortura que conseguir imaginar e...”
E nesse momento, Poseidon se ergueu e seu trono, mais alto do que nunca, mais poderoso do que nunca.
“Se por um acaso qualquer um de você ousar encostar um dedo sequer em meu filho, farei com que passem por torturas piores do que qualquer coisa que Hades possa pensar. Juro que farei vocês se sentirem mergulhados no ácido, sendo serrados ao meio, atropelados por um ônibus e sendo acertados por duas metralhadoras em pontos estratégicos depois de ter engolido um litro de água sanitária, álcool e cloro. Estamos entendidos? Sei que eu errei ao quebrar a promessa, assim como você, Zeus, mas o garoto é só uma criança! Não tem que morrer por um erro meu! Sua filha se sacrificou para salvar os amigos, não desconte sua amargura em meu filho só por que sua filha virou uma árvore!”
Zeus estava furioso como nunca. Os demais deuses, inclusive Hades, estavam encolhidos em seus tronos.
“Não fale assim comigo!” Disse Zeus.
“Ah, sempre isso, para de pensar que manda em mim só por que a mamãe deu uma pedra em seu lugar!” Poseidon deu seu último e mais poderoso golpe, fazendo Zeus tornar a se sentar, raivoso. “Lembre-se, irmão, que eu ainda sou o mais velho, e essa é minha palavra final.”
Todos os presentes observavam a briga e a vitória do Deus dos Mares. Este se sentou, olhou em volta como se nada tivesse acontecido e, à medida em que os outros iam se acalmando, pediu a Apolo que continuasse.

Eu não sabia do que elas estavam falando. Tudo o que sabia era que estava encrencado outra vez.
Assim que se certificou de que a pobre Nancy estava bem, prometendo dar-lhe uma blusa nova na loja de presentes do museu etc. e tal, a se voltou para mim. Havia um fogo triunfante em seus olhos, como se eu tivesse feito algo pelo que ela esperara o semestre inteiro:
-Agora, meu bem...
-Eu sei - resmunguei. – Um mês apagando livros de exercícios.


“Oh não!” gemeram Apolo e Hermes. “Ele acaba de piorar seu castigo.” Ouvia-se uma risadinha abafada vinda de Ares.

Não foi a coisa certa para dizer.
- Venha comigo – disse a sra. Dodds.
-Espere!-guinchou Grover.-Fui eu. Eu a empurrei.


“Oh, que bonitinho!” Disseram Aphrodite e Hera.

Olhei para ele perplexo. Não podia acreditar que estivesse tentando me proteger. Ele morria de medo da sra. Dodds. Ela lançou um olhar tão furioso que fez o queixo penugento dele tremer.

“Claro que ele está tentando te proteger. É a tarefa dele te proteger de monstros”. Disse Dionisio, revirando os olhos para o livro. “Só não sei do que ele tem medo...” E sua face se tornou pensativa.
“Bom, pelo que sei, grande parte dos sátiros tem medo de fúrias.” disse Poseidon, com uma raiva contida.
Todos, exceto Zeus, Ares e Perséfone, olharam indignados para Hades.
“O que?” Ele falou, percebendo todos os olhares nele. “Não é culpa minha, isso ainda nem aconteceu!” E se defendeu rapidamente.
Apolo, reconhecendo a tensão na sala, tornou sua leitura.

-Acho que não, sr. Underwood – disse ela.
-Mas...
-Você... vai... ficar... aqui.
Grover me olhou desesperadamente,
-Tudo bem, cara – disse a ele. – Obrigado por tentar.
-Meu bem – latiu a sra. Dodds para mim.-Agora.
Nancy Bobofit deu um sorriso falso.
Lancei-lhe meu melhor olhar de "vou acabar com a sua raça". Então me virei para enfrentar a sra. Dodds, mas ela não estava lá. Estava postada à entrada do museu, lá no alto dos degraus, gesticulando impaciente para mim.
Como ela chegou lá tão depressa?


“Se não fosse a santa névoa, hein?” Alguém comentou.

Tenho milhares de momentos desse tipo – meu cérebro adormece ou algo assim e, quando me dou conta, vejo que perdi alguma coisa, como se uma peça do quebra-cabeça desaparecesse e me deixasse olhando para o espaço vazio atrás dela. O orientador da escola me disse que isso era parte do transtorno do déficit de atenção, era meu cérebro que interpretava tudo errado.

“Decididamente não é isso que está acontecendo agora.” Disse Poseidon, olhando para Hades, que se encolhia no trono improvisado.

Eu não tinha tanta certeza.
Fui atrás da sra. Dodds. No meio da escadaria, olhei para Grover lá atrás. Ele parecia pálido, movendo os olhos entre mim e o sr. Brunner, como se quisesse que o sr. Brunner reparasse no que estava acontecendo, mas o professor estava absorto em seu romance.


“Quíron nunca ficou assim distraído... Ele deve ter ouvido o que aconteceu e está esperando um momento para agir.” Disse Héstia, nervosa. Apolo assentiu e continuou.

Voltei a olhar para cima. A sra. Dodds desaparecera de novo. Estava agora dentro do edifício, no fim do hall de entrada.
Certo, pensei. Ela vai me fazer comprar uma blusa nova para Nancy na loja de presentes.


“Há, duvido muito que aconteça!” Disse Ares, recebendo um olhar raivoso do tio quando este percebeu o tom esperançoso na voz do deus da guerra.

Mas aparentemente não era esse o plano.
Eu a segui museu adentro. Quando finalmente a alcancei, estávamos de volta à seção greco-romana. A não ser por nós, a galeria estava vazia. A sra. Dodds estava postada de braços cruzados na frente de um grande friso de mármore com os deuses gregos. Ela fazia um ruído estranho com a garganta, como um rosnado.


“Isso não é bom.” Comentou Perséfone, baixo demais para que alguém além de Hades a ouvisse.

Mesmo sem o ruído, eu teria ficado nervoso. É esquisito estar sozinho com uma professora, especialmente a sra. Dodds. Algo no modo como ela olhava para o friso, como se quisesse pulverizá-lo...

“Nada que ela não faria.” Resmungou Hermes.

-Você está nos criando problemas, meu bem – disse ela.
Fiz o que era seguro. Disse:
-Sim, senhora.


Algumas risadinhas nervosas percorreram a sala. Todos sabiam, ou já imaginavam, o que estava por vir.

Ela ajeitou os punhos de seu casaco de couro.
-Você achou mesmo que ia se safar desta?
A expressão em seus olhos era mais que furiosa. Era perversa.
Ela é uma professora, pensei, nervoso. Não é provável que vá me machucar. Eu disse:
-Eu... eu vou me esforçar mais, senhora.
Um trovão sacudiu o edifício.


Todos olharam para Zeus, que apenas deu de ombros.

-Nós não somos bobos, Percy Jackson - disse a sra. Dodds. – Seria apenas uma questão de tempo até que o descobríssemos. Confesse, e você sentirá menos dor.

“Você mandou ela praticamente torturar o garoto, mesmo sabendo que ele não sabia?” Poseidon falou, muito irritado.
“EU NÃO SEI! Isso nem aconteceu ainda, como vou saber?!” Hades ergueu um pouco a voz.

Eu não sabia do que ela estava falando.
Tudo o que pude pensar foi que os professores haviam descoberto o estoque ilegal de doces que eu estava vendendo no meu dormitório.


Hermes soltou uma risadinha, mas disse:
“Não poderia ser isso. Porque uma fúria perderia seu tempo te abordando sobre doces ilegais?”

Ou talvez tivessem descoberto que eu pegara meu trabalho sobre Tom Sawyer na Internet sem ter nem lido o livro, e agora iam retirar minha nota. Ou pior, iam me obrigar a ler o livro.

Hermes, Apolo, Dioniso e Ares gargalharam com o comentário do garoto. Poseidon e Hades soltaram risadinhas.
“Imbecis.” Disse Athena, revirando os olhos e, dessa vez, englobando o garoto.

- E então? - exigiu.
- Senhora, eu não...
- O seu tempo se esgotou – sibilou ela.
Então algo muito estranho aconteceu. Os olhos dela começaram a brilhar como carvão de churrasco. Os dedos se esticaram, transformando-se em garras. O casaco se fundiu em grandes asas de couro. Ela não era humana. Era uma bruxa má e enrugada, com asas e garras de morcego e com uma boca repleta de presas amareladas – e estava prestes a me fazer em pedaços.


Com uma falsa e perigosa calma, Poseidon disse:
“O que eu disse também pode abrir uma exceção para seus monstros, Hades. E eu garanto que eles não vão demorar mais de dez mil anos para voltar, não se preocupe.”

Então as coisas ficaram ainda mais esquisitas.
O sr. Brunner, que estava na frente do museu um minuto antes, foi com a cadeira de rodas até o vão da porta da galeria, segurando uma caneta.
- Olá, Percy! – gritou ele, e lançou a caneta pelo ar.
A sra. Dodds deu um bote para cima de mim. Com um gemido agudo, eu me esquivei e senti as garras cortando o ar ao lado do meu ouvido. Agarrei a caneta esferográfica no alto, mas quando ela atingiu minha mão já não era mais uma caneta. Era uma espada - a espada de bronze do sr. Brunner, que ele sempre usava em dias de torneio.


Todos na sala pareciam prender a respiração, tornando quase palpável a tensão do momento.

A sra. Dodds virou-se na minha direção com uma expressão assassina nos olhos. Meus joelhos ficaram bambos. As mãos tremiam tanto que quase deixei a espada cair.

Ares parecia prestes a começar a rir quando recebeu um olhar raivoso de Poseidon.
“Ele não sabe nem o que é.”

Ela rosnou:
-Morra, meu bem!

“Ahn, dessa vez o ‘meu bem’ não funcionou.” Disse Hermes.

E voou para cima de mim.
Um terror absoluto percorreu meu corpo. Fiz a única coisa que me ocorreu naturalmente: desferi um golpe com a espada.
A lâmina de metal atingiu o ombro dela e passou direto por seu corpo, como se ela fosse feita de água:
Zaz!


“Ou de areia, talvez?” Deméter comentou, curiosa sobre a maneira do menino de expressar as coisas de maneira sempre relacionada a seu irmão.

A sra. Dodds era um castelo de areia debaixo de um ventilador. Ela explodiu em areia amarela, reduziu-se a pó, sem deixar nada além do cheiro de enxofre, um grito estridente que foi sumindo e um calafrio de maldade no ar, como se aqueles olhos vermelhos incandescentes ainda estivessem me olhando.
Eu estava sozinho.
Havia uma caneta esferográfica na minha mão.


Na sala, os deuses estavam absortos em pensamentos. Alguns, a grande maioria, perguntavam-se se a névoa atingiria o garoto com tanta intensidade agora, depois de ter isto e lutado contra um monstro. Poseidon, em especial, lembrava-se de ter entregado uma espada para Quíron, anos atrás. Anaklusmos era sua espada preferida e ele gostou de saber que ela seria passada para seu filho.

O sr. Brunner não estava lá. Não havia ninguém lá além de mim.
Minhas mãos ainda estavam tremendo. Meu lanche devia estar contaminado com cogumelos mágicos ou coisa assim.
Será que eu havia imaginado tudo aquilo?


“Seria muita sorte você ter imaginado tudo.” Disse Athena.

Voltei para o lado de fora.
Tinha começado a chover.
Grover estava sentado junto ao chafariz com um mapa do museu formando uma tenda em cima de sua cabeça. Nancy Bobofit ainda estava lá, encharcada do banho no chafariz, resmungando para as amigas feiosas. Quando me viu, disse:
-Espero que a sra. Kerr tenha chicoteado seu traseiro.


“Ah, então ele não estava sendo totalmente afetado pela névoa!” Hera representou o que os outros estavam pensando.

-Quem? - respondi.
-Nossa professora. Dãã!
Eu pisquei. Não tínhamos nenhuma professora chamada sra. Kerr. Perguntei a Nancy de quem ela estava falando.

“Coitado, vai ser passado de maluco...” Disse Ártemis ressentida.

Ela simplesmente revirou os olhos e me deu as costas.
Perguntei a Grover onde estava a sra. Dodds.
-Quem?-respondeu ele.
Mas Grover primeiro fez uma pausa, e não olhou para mim, portanto, pensei que estivesse me gozando.


“Quíron não vai conseguir enganá-lo” disse Hephaestus. “Esse sátiro não consegue mentir.”

- Não tem graça, cara – disse a ele. – Isso é sério.
Um trovão estourou no alto.
Vi o sr. Brunner sentado em baixo do guarda-chuva vermelho, lendo seu livro, como se nunca tivesse se mexido. Fui até ele. Ele ergueu os olhos, um pouco distraído.
- Ah, é a minha caneta. Por favor, traga seu próprio instrumento de escrita no futuro, sr. Jackson.


“Tá, acho que isso salva o plano do centauro.” disse Héstia.

Entreguei a caneta ao sr. Brunner. Não tinha notado que ainda a estava segurando.
- Senhor – disse eu -, onde está a sra. Dodds?
Ele olhou para mim com a expressão vazia.
- Quem?


“Deve estar sendo difícil para ele mentir para Percy.” disse Aphrodite

- A outra professora que nos acompanhava. A sra. Dodds. Professora de iniciação à álgebra.
Ele franziu a testa e se inclinou para a frente,parecendo ligeiramente preocupado.
-Percy, não há nenhuma sra. Dodds nesta excursão. Até onde sei, nunca houve uma sra. Dodds na Academia Yancy. Está se sentindo bem?


“Acho que Percy não caiu.” disse sabiamente Apolo, sinalizando para todo o final do capítulo.
“Eu acho que Quíron estava mais preocupado de Percy não cair do que na possível loucura dele.”disse Hera.
“Bom, vamos para o próximo? Quero terminar esse livro rápido.” Disse Ares.
“Bom, é melhor começarmos mesmo, pois temos mais quatro livros além desse.” Disse Zeus. “Comece, Apolo.”
“Ah, não, de jeito nenhum! Eu li esse capítulo todo, agora outra pessoa lê.” Apolo respondeu indignado.
“Ai, me dá aqui, seu idiota. Eu leio.” disse Ártemis, tomando o livro das mãos do irmão e lendo o título:
“Três velhas senhoras tricotam as meias da morte”


Juliet Morgan Grigori

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Re: O Que Deve Acontecer? ~ Juliet K. Morgan

Mensagem  Juliet M. Grigori em Ter Jul 24, 2012 5:51 pm

O que deve acontecer?

Três velhas senhoras tricotam as meias da morte.


“Ah, as Parcas... o que seria do meu reino sem elas?” Comentou Hades, mais para ele mesmo e talvez também para Perséfone, que estava concordando solenemente com a cabeça. “Ainda temos que chamá-las para tomar um pouco que néctar conosco, querida.”
Os deuses restantes ergueram as sobrancelhas em descrença, mas algo no rosto do Senhor dos Mortos dizia a eles que ele disse tudo com sinceridade. Este ergueu os olhos, após ter percebido que todos o encaravam.
“Que foi?” Ele perguntou, e os deuses caíram na gargalhada. Rindo um pouquinho, Àrtemis começou a leitura.

Eu estava acostumado a uma ou outra experiência esquisita, mas normalmente elas passavam depressa. Aquela alucinação vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana era mais do que eu podia encarar. Durante o resto do ano escolar o campus inteiro parecia me pregando algum tipo de peça. Os alunos agiam como se estivessem completa e totalmente convencidos de que a sra. Kerr - uma loira alegre que eu nunca tinha visto na vida até o momento em que ela entrou no nosso ônibus no fim da excursão - era nossa professora de iniciação à álgebra desde o Natal.

“Acho que isso traumatizaria qualquer um... Imagina: Eu passo um tempão com alguém e de repente me dizem que este alguém não existiu!” Disse Aphrodite, entendendo um pouco o garoto.
“Sim, de fato seria traumatizante, mas talvez ele não tenha caído na história.” Disse Hermes, pensativo.

De vez em quando eu soltava uma referência à sra. Dodds para cima de alguém, só para ver se conseguia fazê-los titubear, mas eles me olhavam como se eu fosse louco.
Acabei quase acreditando neles: a sra. Dodds nunca tinha existido.


“Coitadinho, ser considerado um problemático numa escola para problemáticos.” Disse Ares, de brincadeira, recebendo olhares zangados de Poseidon e Hera.
“Ainda acho que ele não caiu.” Teimou um pouco Hermes. “Vocês não viram, quase caiu.”
Lançando um olhar zangado ao Deus dos Ladrões, Àrtemis voltou a ler.

Quase.

Hermes olhou para todos como se dissesse: “Eu sou demais, eu sei das coisas, tá ligado?”

Mas Grover não conseguiu me enganar. Quando eu mencionava o nome Dodds ele hesitava, depois alegava que ela não existia. Mas eu sabia que ele estava mentindo.

“Tchans. A prova de que esse sátiro realmente não consegue mentir.” disse Hephaestus, lançando a todos um olhar semelhante ao de Hermes.
Alguns deuses reviraram os olhos, e Àrtemis tornou a leitura.

Alguma coisa estava acontecendo. Alguma coisa havia acontecido no museu.

Eu não tinha muito tempo para pensar no assunto durante o dia, mas, à noite, visões da sra. Dodds com garras e asas de couro me faziam acordar suando frio.

“Eu imagino que todos os humanos que têm o desprazer de lutar com uma fúria se sintam assim...” Disse Hera, pensativa.

O tempo maluco continuou, o que não ajudava meu humor. Certa noite, uma tempestade de raios arrebentou a janela do meu dormitório. Alguns dias depois, o maior tornado jamais visto no vale do Hudson tocou o chão a apenas trinta quilômetros da Academia Yancy. Um dos eventos correntes que aprendemos na aula de estudos sociais era o número inusitado de pequenos aviões que caíram em súbitos vendavais no Atlântico naquele ano.

“Nossa, gente, que horror!” Disse Aphrodite, olhando irritada para Zeus e Poseidon.
“Não é minha culpa, nem sei porque estou com raiva!” Disseram os deuses juntos, olhando emburrados um para o outro logo em seguida, arrancando risos baixos dos demais.

Comecei a me sentir mal-humorado e irritado a maior parte do tempo. Minhas notas caíram de D para F. Entrei em mais atritos com Nancy Bobofit e suas amigas. Era posto para fora da sala e tinha de ficar no corredor em quase todas as aulas.

“Aí sim ele demonstrou um pouco de atitude!” Disse Ares, satisfeito.
Após lançar um olhar pasmo para o deus da guerra, juntamente com Hera e Héstia, Ártemis voltou a ler.

Finalmente, quando nosso professor de inglês, o sr. Nicoll, me perguntou pela milionésima vez por que eu tinha tanta preguiça de estudar para as provas de ortografia, eu explodi. Chamei-o de velho dipsomaníaco. Não sabia direito o que aquilo queria dizer, mas soou bem.

Os homens da sala, estranhamente incluindo Zeus e Poseidon, que durante as leituras estavam emburrados em seus tronos, explodiram em risadas pelo comentário do garoto. As garotas olhavam descrentes a cena. Athena revirou os olhos, balançou a cabeça negativamente e deu um tapa em sua própria testa.
“Ai, mas que garoto tapado! Tantos adjetivos para ele falar e ele escolhe um que não tem nada a ver com a coisa!”
“E o que isso significa, Athena?” perguntou timidamente Perséfone, tentando falar alto o suficiente para a deusa ouvi-la, considerando um marido histérico ao lado e mais seis deuses gargalhando.
“Bem, dipsomaníaco vem de dipsomania, que é um estado patológico caracterizado por impulsão insaciável para a ingestão de bebidas alcoólicas.” Athena respondeu, de maneira solene.
Os homens, que pareciam finalmente estarem tentando se controlar, riram mais ainda ao ouvir a explicação da deusa da sabedoria. Esta ficou muito estressada e fez sinal para Ártemis voltar a ler fazendo os garotos pararem de rir um pouco.

O diretor mandou uma carta para minha mãe na semana seguinte, tornando oficial: eu não seria convidado a voltar para a Academia Yancy no ano seguinte.

“Olhe pelo lado bom: você não vai ter que aturar aquela garotazinha repugnante!” Disse Hera, surpreendendo os deuses um pouco, mas estes logo concordaram com a cabeça. Definitivamente era algo bom a acontecer.

Ótimo, disse a mim mesmo. Simplesmente ótimo.
Eu estava com saudades de casa.

“Hm, é quase um ponto, mas ele iria voltar para casa de todo jeito e a mãe dele iria conseguir outra escola para ele do mesmo jeito. Não ia mudar quase nada, só a escola.” Disse Hermes, pensando. “Tudo bem que não vai ter Grover, nem Quíron, e logicamente nem Bobofit, mas...” E foi interrompido pela leitura de Ártemis.

Queria ficar com minha mãe no nosso pequeno apartamento no Upper East Side, mesmo que tivesse de freqüentar uma escola pública e aturar meu padrasto detestável e seus jogos de pôquer estúpidos.
E no entanto... havia coisas em Yancy de que eu sentiria falta. A vista da minha janela para os bosques, o rio Hudson a distância, o cheiro dos pinheiros. Sentiria falta de Grover, que tinha sido bom amigo, mesmo com seu jeito meio estranho. Fiquei pensando como ele iria sobreviver ao próximo ano sem mim.


“Meio convencido, né?” Comentou Apolo. Revirando os olhos, Ártemis voltou a ler, entendendo a irritação do irmão com as interrupções.

Também sentiria falta da aula de latim - os dias malucos de torneio do sr. Brunner e sua confiança em que eu poderia me sair bem.
Quando a semana de exames foi se aproximando, latim era a única prova para a qual eu estudava. Não tinha me esquecido que o sr. Brunner falara, sobre essa matéria ser questão de vida ou morte para mim. Não sabia muito bem por quê, mas acreditara nele.

“Quíron tem esse poder de fazer todos acreditarem em tudo o que ele fala. Chega a ser bizarro!” Disse Héstia, se lembrando de alguns momentos passados com o meio irmão.
Na noite anterior ao meu exame final, fiquei tão frustrado que joguei o Guia Cambridge de mitologia grega do outro lado do dormitório. As palavras tinham começado a flutuar para fora da página, dando voltas na minha cabeça, as letras fazendo manobras radicais como se estivessem andando de skate. Não havia jeito de eu me lembrar da diferença entre Quíron e Caronte, ou Polidectes e Polideuces. E conjugar aqueles verbos latinos? Nem pensar.
Fiquei indo de um lado para outro no quarto, com a sensação de que havia formigas andando por dentro da minha camisa.
Lembrei a expressão séria do sr. Brunner, de seus olhos de mil anos. De você, aceitarei apenas o melhor, Percy Jackson.
Respirei fundo. Peguei o livro de mitologia.
Eu nunca havia pedido ajuda a um professor antes. Se falasse com o sr. Brunner, quem sabe ele me daria algumas dicas. Poderia, pelo menos, pedir desculpas pelo grande F que ia tirar na prova. Não queria sair da Academia Yancy deixando-o pensar que eu não tinha me esforçado.


“Talvez funcione. Quíron, apesar de tudo, pode ser sentimental passando tanto tempo com alguém.” Desta vez, Dioniso fez o comentário sobre o centauro.

Desci a escada para os gabinetes dos professores. A maioria estava vazia e escura, mas a porta do sr. Brunner estava entreaberta e a luz que vinha da sua janela se estendia ao longo do piso do corredor.
Eu estava a três passos da maçaneta da porta quando ouvi vozes dentro da sala.. O sr. Brunner tinha feito uma pergunta. Uma voz que, sem sombra de dúvida, era a de Grover disse: "...preocupado, senhor."



“Epa.” disse Ares, expressando em uma palavra o que os outros estavam pensando. Se Grover estava conversando com Quíron, devia ser algo relacionado a Percy, algo que bem provavelmente o garoto não deveria ouvir.

Eu gelei.
Normalmente não sou bisbilhoteiro, mas desafio alguém a não tentar ouvir quando seu melhor amigo está falando sobre você com um adulto.
Cheguei um pouquinho mais perto.
- ...sozinho nesse verão - Grover estava dizendo. - Quer dizer, uma benevolente na escola! Agora que sabemos com certeza, e eles também sabem...


“Decididamente, Percy não deveria ouvir essa conversa. Agora, se ele ligar os pontos...” Hermes não terminou a frase, todos sabiam um final semelhante. Em resumo, por autoria de Ares, o final seria ‘..., ferrou.”

- Só vamos piorar as coisas se o apressarmos - disse o sr. Brunner. - Precisamos que o menino amadureça mais.
- Mas ele pode não ter tempo. O prazo final do solstício de verão...


“Porque de verão? Não seria de inverno, quando todos estamos aqui?” Perguntou Deméter.

- Terá de ser resolvido sem ele, Grover. Deixe-o desfrutar sua ignorância enquanto ainda pode.
- Senhor, ele a viu...
- Imaginação dele - insistiu o sr. Brunner. - A Névoa sobre os alunos e a equipe será suficiente para convencê-lo disso.
- Senhor, eu... eu não posso fracassar nas minhas tarefas de novo. - A voz de Grover estava embargada de emoção. – Sabe o que isso significaria.
- Você não fracassou, Grover - disse o sr. Brunner gentilmente. - Eu deveria tê-la visto como ela era. Agora vamos apenas nos preocupar em manter Percy vivo até o próximo outono...
O livro de mitologia caiu da minha mão e bateu no chão com um ruído surdo.
O sr. Brunner silenciou.
Com o coração disparado, peguei o livro e voltei pelo corredor.

“Ih, ferrou.” disseram estranhamente todos juntos.
Uma sombra deslizou pelo vidro iluminado da porta da porta de Brunner, a sombra de algo muito mais alto do que meu professor de cadeira de rodas, segurando alguma coisa suspeitamente parecida com o arco de um arqueiro.
Abri a porta mais próxima e me esgueirei para dentro.
Alguns segundos depois ouvi um lento clop-clop-clop, como blocos de madeira abafados, depois um som como o de um animal farejando bem na frente da minha porta. Um grande vulto escuro parou diante do vidro e depois seguiu adiante.


Ninguém conseguia comentar. Todos viviam o pequeno momento de tensão do garoto.

Uma gota de suor escorreu por meu pescoço.
Em algum lugar no corredor, o sr. Brunner falou.
- Nada - murmurou ele. - Meus nervos não andam tão bons desde o solstício de inverno.
- Nem os meus - disse Grover. - Mas eu podia ter jurado...
-Volte para o dormitório - disse-lhe o sr. Brunner. - tem um longo dia de provas amanhã.
- Nem me lembre.
As luzes se apagaram na sala do sr. Brunner.
Aguardei no escuro pelo que pareceu uma eternidade.
Por fim, me esgueirei para o corredor e subi de volta para o dormitório.
Grover estava deitado na cama, estudando as anotações para a prova de latim como se tivesse estado lá a noite inteira.
- Ei! - disse ele, com olhar de sono. - Vai estar preparado para a prova?
Não respondi.
- Está com uma cara horrível. - Ele franziu a testa. -Tudo bem?
- Só estou cansado.
Virei-me para que ele não pudesse perceber minha expressão e comecei a me preparar para dormir.


“Aposto que o sátiro nem vai imaginar que Percy ouviu a conversa.” Disse Hephaestus , ainda importunando o pobre. Dioniso lançou um olhar maléfico ao irmão.

Não entendi o que tinha ouvido lá embaixo. Queria acreditar que havia imaginado aquilo tudo.
Mas uma coisa estava clara: Grover e o sr. Brunner estavam falando de mim pelas costas. Achavam que eu corria algum tipo de perigo.


“Não me diga?!” Disse Ares, recebendo novamente uma porção de olhares irritados.

Na tarde seguinte, quando estava saindo da prova de latim de três horas, atordoado com todos os nomes gregos e romanos que tinha escrito errado, o sr. Brunner me chamou de volta.
Por um momento, fiquei preocupado achando que ele descobrira minha bisbilhotice na noite anterior, mas não parecia ser esse o problema.
- Percy - disse ele. - Não fique desanimado por deixar Yancy. É... é para o seu bem.
Seu tom era gentil, mas ainda assim as palavras me deixaram sem graça. Embora ele estivesse falando baixo, os que terminavam a prova podiam ouvir. Nancy Bobofit me lançou um sorriso falso e, fez pequenos movimentos de beijo com os lábios.


“Repugnante.” Hera disse. Ela definitivamente não gostava da garota. Pensando bem, nenhum dos deuses gostava. Silenciosamente, todos os presentes concordaram .

Eu murmurei:
- Está bem, senhor.
- Quer dizer... - O sr. Brunner andou com a cadeira para trás e para frente, como se não tivesse certeza do que falar. - Este não é o lugar certo para você. Era apenas uma questão de tempo.
Meus olhos ardiam.
Ali estava meu professor favorito, na frente da classe, me dizendo que eu não era capaz. Depois de falar o ano todo que acreditava em mim, agora me dizia que eu estava destinado a ser expulso.


“Coitadinho!” Disseram as garotas, com exceção de Athena e Ártemis, que só o fizeram mentalmente. “Quíron deveria ter medido as palavras.”

- Certo - disse eu, tremendo.
- Não, não - disse o sr. Brunner. - Ah, que droga. O que eu estava tentando dizer... é que você não é normal, Percy. Não é nada ser...


“Ih, já era.” Foi a vez dos garotos comentarem.

- Obrigado - soltei. - Muito obrigado, senhor, por me lembrar.
- Percy...
Mas eu já tinha ido.


“Coitadinho, de verdade.” Disse Aphrodite. “Aposto que chorou um pouquinho mas não fala no livro.” Completou, fazendo uma cara de “estou certa, não me desafiem” muito engraçada.

No último dia de aulas, enfiei minhas roupas na mala.
Os outros garotos estavam fazendo piadas, falando sobre os planos para as férias. Um deles ia fazer trilha na Suíça. Outro faria um cruzeiro de um mês pelo Caribe. Eram delinqüentes juvenis como eu, mas delinqüentes juvenis ricos. Os papais eram executivos, embaixadores ou celebridades. Eu era um joão-ninguém, de uma família de joões-ninguém.


“Que jeito ruim de pensar!” disse Hera. “Aposto que se conhecesse sua família por parte de pai não ia pensar desse jeito.”

Eles me perguntaram o que ia fazer no verão, e eu disse que voltaria para a cidade.
O que não lhes contei foi que ia arranjar um trabalho de verão passeando com cachorros ou vendendo assinaturas de revistas, e passar o tempo livre pensando em onde iria estudar no outono.
- Ah - disse um dos garotos. - Legal.
Eles voltaram à conversa como se eu não existisse.


“Hmm, acho que eu faria o mesmo.” Disse Apolo, estranhamente utilizando um tom de quem se desculpa.

A única pessoa de quem tinha medo de me despedir era Grover, mas do jeito como as coisas aconteceram, eu nem precisei. Ele havia comprado uma passagem para Manhattan no mesmo ônibus Greyhound que eu, então lá estávamos nós, juntos outra vez, indo para a cidade.

“Coincidência, hm?...” Disse Hermes, com uma cara de detetive que fez os deuses soltarem risadinhas.

Durante toda a viagem de ônibus, Grover olhava nervoso para o corredor, observando os outros passageiros. Ocorreu-me que ele sempre agia de modo nervoso e inquieto quando saíamos de Yancy, como se esperasse que algo ruim fosse acontecer. Antes, eu achava que ele tinha medo de que o provocassem. Mas não havia ninguém para fazer isso no Greyhound.
Finalmente, não pude mais aguentar.
- Procurando Benevolentes?


“Pobre sátiro, vai acabar engasgado de susto.” disse Dioniso.

Grover quase pulou do assento.
- O que... o que você quer dizer?
Confessei ter ouvido a conversa dele com o sr. Brunner na noite anterior ao dia da prova.


“Já era.” Disse Ares.

O olho de Grover estremeceu.
- Quanto você ouviu?
- Ah... não muito. O que é o prazo final do solstício de verão?
Ele se esquivou.
- Olhe Percy... Eu só estava preocupado com você, entende? Quer dizer, tendo alucinações com professoras de matemática demoníacas...


“Tá, essa definitivamente não vai colar.” Disse Hephaestus.

- Grover...
- E eu estava dizendo ao sr. Brunner que talvez você estivesse muito estressado, ou coisa assim, porque não havia uma pessoa chamada sra. Dodds e...
- Grover, você mente muito mal mesmo.


“Ai, que vergonhinha!” Disse Aphrodite. Alguns deuses soltaram risadinhas, mas ao ver o rosto da deusa sério, todos caíram na gargalhada.

As orelhas dele ficaram cor-de-rosa.
Do bolso da camisa, ele pescou um cartão de visitas encardido.
- Pegue isto, certo? Para o caso de você precisar de mim este verão.
O cartão tinha uma escrita floreada, que era um terror para os meus olhos disléxicos, mas por fim consegui identificar coisa como:
Grover Underwood
Guardião
Colina meio Sangue
Long Island, Nova York
(800) 009 -0009
- O que é Colina Meio...
- Não fale alto! — ganiu. — É meu, ah... endereço de verão.


“Matou o coitado agora, tipo assim.” Disse Apolo.

Meu coração desabou. Grover tinha uma casa de veraneio. Eu nunca imaginara que a família dele poderia ser tão rica quanto a dos outros em Yancy.
- Certo - falei, mal-humorado. - Tá, se eu quiser uma visita à sua mansão.
Ele assentiu.
- Ou... ou se você precisar de mim.
- Por que iria precisar de você?
Saiu mais rude do que eu pretendia.


“De fato foi bem rude. É legal ter respeito com as pessoas que te protegem.” disse Dioniso “E o acampamento não é uma mansão. Só é bem grande.”

Grover ficou com a cara toda vermelha.
- Olhe, Percy, a verdade é que eu... eu tenho, de certo modo, que proteger você.
Olhei fixamente para ele.
Durante o ano inteiro me meti em brigas para manter os valentões longe dele. Perdi o sono temendo que, sem mim, ele fosse apanhar no ano que vem. E ali estava Grover agindo como se fosse ele a me defender.


“Tá, isso deve ter mesmo soado esquisito para o moleque.” Disse Hades.

- Grover – disse eu -, do que exatamente você está me protegendo?
Houve um tremendo barulho de algo sendo triturado embaixo dos nossos pés. Uma fumaça preta saiu do painel e o ônibus inteiro foi tomado por um cheiro de ovo podre. O motorista praguejou e levou o Greyhound com dificuldade até o acostamento.


“O que será isso?” Perguntaram os deuses.
“Se vocês deixassem eu ler, talvez saberíamos!” Disse Ártemis, irritada.

Depois de alguns minutos fazendo alguns sons metálicos no compartimento do motor, o motorista anunciou que teríamos de descer. Grover e eu saímos em fila com todos os outros.
Estávamos em um trecho de estrada rural - um lugar que a gente nem notaria se não tivesse enguiçado lá. Do nosso lado da estrada não havia nada além de bordos e lixo jogado pelos carros que passavam. Do outro lado, depois de atravessar quatro pistas de asfalto que refletiam uma claridade trêmula com o calor da tarde, havia uma banca de frutas como as de antigamente.
As coisas à venda pareciam realmente boas: caixas transbordando de cerejas e maçãs vermelhas como sangue, nozes e damascos, jarros de sidra dentro de uma tina com pés em forma de patas, cheias de gelo. Não havia fregueses, só três velhas senhoras sentadas em cadeiras de balanço à sombra de um bordo, tricotando o maior par de meias que eu já tinha visto.


“Há há, acabei de lembrar de um sonho que eu tive um dia! As Parcas tinham formado um grupo de dança chamado ‘As Parquitchas’!” Disse Apolo, fazendo todos rirem mais do que tinham rido no dia todo.

Quer dizer, aquelas meias eram do tamanho de suéteres, mas eram obviamente meias. A senhora da direita tricotava uma delas. A da esquerda a outra. A do meio segurava uma enorme cesta de lã azul brilhante.
As três mulheres pareciam muito velhas, com o rosto pálido e enrugado como fruta seca, cabelo prateado preso atrás com lenço branco, braços ossudos espetados para fora de vestidos de algodão pálido.
A coisa mais esquisita era que elas pareciam olhar diretamente para mim.


“Poxa, tudo de ruim acontece com o garoto!” Disse Ares. Todos olharam para ele, não acreditando no tom indignado utilizado pelo deus da guerra. Percebendo os olhares, este acrescentou: “ Não que eu me importe, sabe como é.”

Encarei Grover para comentar isso e vi que seu rosto tinha ficado branco. O nariz tremia.
- Grover? - disse eu. - Ei, cara...
- Diga que elas não estão olhando para você. Estão, não é?
- Estão. Esquisito, não? Você acha que aquelas meias serviriam em mim?
- Não tem graça, Percy. Não tem graça nenhuma.


“Oh, merda.” Disseram Hermes, Apolo, Poseidon, Athena e Héstia juntos.
A velha do meio pegou uma tesoura imensa - dourada e prateada, de lâminas longas, como uma tosquiadeira. Ouvi Grover tomar fôlego.
- Vamos entrar no ônibus - ele me disse. - Venha.
- O quê? - disse eu. - Lá dentro está fazendo quinhentos graus.
- Venha! - Ele forçou a porta e subiu, mas eu fiquei embaixo.
Do outro lado da estrada, as velhas ainda olhavam para mim. A do meio cortou o fio de lã, e posso jurar que ouvi aquele ruído cruzar as quatro pistas de trânsito. As duas amigas dela enrolaram as meias azuis e me fizeram imaginar para quem seria aquilo - o Pé Grande ou o Godzilla.


“E o garoto continua fazendo brincadeirinhas sem noção.” Disse Hephaestus.

Na traseira do ônibus, o motorista arrancou um grande pedaço de metal fumegante do compartimento do motor. O ônibus estremeceu e o motor voltou à vida, roncando.
Os passageiros aplaudiram.
- Tudo em ordem! - gritou o motorista. Ele bateu no ônibus com o chapéu. - Todo mundo para dentro!
Quando já estávamos a caminho, comecei a me sentir como se tivesse pego uma gripe.
Grover não parecia muito melhor. Estava tremendo e batendo os dentes.
- Grover?
- Sim?
- O que me diz?
Ele enxugou a manga da camisa.
- Percy, o que você viu lá atrás, na banca de frutas?
- Você quer dizer, aquelas velhas? O que há com elas, cara? Elas não são com... a sra. Dodds, são?
A expressão dele era difícil de interpretar, mas tive a sensação de que as velhas da banca de frutas eram algo muito, muito pior do que a sra. Dodds. Grover disse:
-Só me diga o que você viu.
- A do meio pegou uma tesoura e cortou o fio.


“É, esse menino já era.”Disse Hades.

Ele fechou os olhos e fez um gesto com os dedos parecido com o sinal-da-cruz, mas não era isso. Era outra coisa, algo um tanto... mais antigo.
Ele disse:
- Você a viu cortar o fio?
-Sim. E daí? - Mas mesmo enquanto dizia isso, já sabia que era algo importante.
- Isso não está acontecendo - murmurou Grover. Ele começou a morder o dedão. - Não quero que seja como na última vez.
- Que última vez?
- Sempre na sexta série. Eles nunca passam da sexta.


“Fato!” disse Ares, com um sorriso maquiavélico.
“Deixa de ser idiota, Ares!” Disse Athena, revirando os olhos. “Pensa só um pouquinho, eu nem estou pedindo muito: Se foram lançados cinco livros da série, COMO O GAROTO MORRERIA NA SEXTA SÉRIA, QUE É O PRIMEIRO LIVRO?”
Ares lançou à deusa um olhar mortal. As chamas em seus olhos brilhavam incessantemente. Tal olhar faria outro deus se encolher talvez, mas não Athena.
“Ô tapado, eu sou a deusa das estratégias de batalha e também sou a deusa da guerra. Vai encarar?” Ela disse, olhando para o deus com desdém. Em meio às risadas que vieram em seguida, Ares corou visivelmente, mas provavelmente de raiva. Com um sorrisinho, Ártemis voltou a ler.

- Grover - disse eu, porque ele estava realmente começando a me assustar -, do que você está falando?
- Deixe que eu vá com você da estação do ônibus até sua casa. Prometa.
Aquele me pareceu um pedido estranho, mas prometi.
- É uma superstição ou coisa assim? – perguntei.
Nenhuma resposta.
- Grover... aquele corte no fio. Significa que alguém vai morrer?
Ele olhou para mim com tristeza, como se já estivesse escolhendo o tipo de flores que eu gostaria de ter em meu caixão.


“Uou!” disse Apolo.
“Já estou vendo esse garoto nos meus domínios.” Disse Hades.
“Quem vai ler agora?” Perguntou Poseidon, sem querer ouvir mais comentários idiotas sobre o destino de seu filho.
“Ah, eu leio.” Disse Athena, recebendo o livro de uma agradecia deusa da caça.
“Ih, Atheninha pegou o livro!” disse Apolo. “Ai de nós.”
Enquanto Hermes e Ares riam em alto e bom som e os deuses restantes soltavam risadinhas, Athena deu um chute bem dado na canela de Apolo, fazendo este gemer de dor e o restante da sara soltar altas risadas pela situação do deus dos solteiros.
“Onde estávamos mesmo?” Perguntou Athena, em um tom inocente. “Ah, sim.”

“Grover de repente perde as calças


Juliet Morgan Grigori

Mais uma de Hermes | Pantera de um Alguém | CS2 do C<3

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Re: O Que Deve Acontecer? ~ Juliet K. Morgan

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