Quarto do Albafica - In memoriam - One Post

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Quarto do Albafica - In memoriam - One Post

Mensagem  Albafica Triantaphylos em Qua Jan 16, 2013 5:52 pm

IN MEMORIAM BED TIME


É... Não parece, mas eu estou triste. Meu coração já não bate como ontem, e não sei se voltará a bater normal amanhã. O tempo é muito curto para nos prendermos a diversas outras coisas. Estas, são apenas coisas, e coisas tendem a ser substituídas. No meu caso, não perdi uma coisa, e não penso em repor o que me falta. O que eu perdi, vai muito além de um clips, um lápis, uma panela de pressão ou uma cumbuca. Não foi uma refeição gostosa preparada por meu pai, e muito menos um dia de primavera feito especialmente pra mim, pela minha mãe. O que eu perdi não pode ser achado detrás do sofá, dentro de uma latinha ou num baú bagunçado. Se fosse uma das flores do meu jardim, brancas, perfumadas e delicadas rosas, bastariam um simples desejo meu, e ela voltaria à vida e viveria pelo resto de minha vida. Se desse, eu trocaria minha própria existência em troca do que eu perdi. Contanto que fosse achado, acho que seria uma troca justa. Entretanto o que busco, já não pode ser mais encontrado. O que anseio ver novamente, já esta sendo conduzido por outra pessoa, ou melhor, deus. Espero que Thanatos cuide bem da minha preciosidade e que Hipnos lhe guarde num armarinho e deixe meu bibelô dormindo na estante pela eternidade.

Agarrei meu travesseiro com força, encurvando meu corpo numa posição fetal. Meus olhos sem vida fitavam a cama vazia de Frida. A luz do luar que invadia o quarto me era irritante e perturbava meu devaneio. Porem não me dei ao luxo de sair da minha cama para fechar a cortina. Minha solidão estava ótima e assustadoramente me fazia bem. Detesto ficar sozinho, mesmo que eu fique em silencio, a aproximação de outro ser vivo me era tão agradável e fazia com que meu corpo se sentisse vivo e, inserido num contexto. Porem agora, meu estado solitário era a única coisa que me consolava. Minha mais nova amiga, Solidão e sua irmã, Tristeza. Finquei meus dedos na fofura do travesseiro e reprimi uma lágrima de saudade. Eu adoraria que meu hominho estivesse aqui. Se eu pudesse ouvir por mais uma vez o tilintar de seu sorriso, ou o avermelhar de suas bochechas... Quem sabe poder ver o brilho de seus cabelos sob a luz solar, ou mesmo o intenso azul de seus olhos se misturando com o manto celeste. Quem sabe se eu o tocasse pela ultima vez, meu coração ferido voltasse a se reestabelecer... Mas quem sabe? Não importa quantas vezes eu amaldiçoe os deuses e deseje que ele volte, minhas orações e pragas não podem ser atendidas agora. Mesmo em meus sonhos, sinto que a imagem dele, é mera ilusão.

Suspiro no meu silencio, engolindo um montante de saliva. Meu pomo sobe e desce e eu sinto o líquido viscoso descendo pela minha garganta. Meu corpo todo recebe aquela mensagem e treme. Vasculho as trevas do meu quarto e nada encontro. Tento dormir, mas até o deus do sono e sua esposa me impedem de dormir. Não consigo me mexer, pois me dói pensar que eu vivo estou, e ele morto está. Minha mente martela fundo e me diz que é tudo mentira, mas meu coração me machuca e me obriga a acreditar numa verdade na qual não quero acreditar. Eu tenho que ser forte, eu sei disso. Eu prometi a ele certa vez. Meu corpo nu estava apenas com um lençol atravessado pelo abdômen. Eu sentia uma brisa fria, mas também não tive vontade de me cobrir ou colocar uma roupa adequada. Pisquei duas vezes bem demoradas, dei outro suspiro e voltei a pensar.

Sempre fui vítima de comentários maldosos a meu respeito. Eu nunca quis beijar outras garotas, mesmo que elas me roubassem beijos e alguns apertões, nunca quis ter nada com elas. Até dispensei umas duas e recusei um convite para o baile. Com os meninos a mesma coisa. Dispensei um, mas sei que outros queriam o meu corpo numa bandeja de prata com salvas de ouro. Diziam que eu era gay, mas no fundo eu sabia que era apenas, assexuado. Porem minha mania de ficar enroscando nas pessoas, dizia o contrário de minha personalidade. Até que um dia eu vim para os EUA, fui reclamado e um belo dia na colina... La estava à coisa mais perfeita do mundo. Meu coração havia disparado e minhas bochechas tornaram-se vermelhas como maças do amor. É, ele podia ser mulher, uma pedra, um jumento, um raio de sol, um minotauro, ou mesmo continuar sendo um homem. Eu havia me apaixonado pela essência de Kyle, e não pela sua aparência. Porem agora nada me importa mais e se o tempo também me quiser dragar, cá estou e com as malas prontas para essa aventura. Na verdade eu não posso me dar esse prazer, pois eu tenho uma pessoinha pra cuidar, instruir, dar amor e ensinar o caminho certo. Parece que Khaos, apesar de mal e querer nos destruir, proporcionou-me algo de bom. Ouvi dizer que alquimia é uma troca, e, bom, acho que o deus do caos, havia feito à troca na medida correta. É meu dever criar meu filho com toda a empolgação de antes. Permiti expressar um sorriso e meus olhos umedeceram.

A saudade é grande e sempre vai bater na portinha de mogno do meu frágil coração, mas o tempo cura todas as feridas, é o que dizem por ai. Espero que Cronos, o titã do tempo, me conceda essa benção. Nunca mais sentirei seu cheiro de cupcake de baunilha com morango e raspas de chocolate. Nunca mais ouvirei o galanteio de sua voz infantil, ou mesmo seu beicinho num rosto emburrado quando ele está fazendo manha. Nunca mais o verei deitado em minha cama, pedindo por mais, muito menos seus lábios aos meus sedentos por um beijo a mais de boa noite. Sabe, sentirei falta de sua pele macia em contato com os meus músculos firmes. Sentirei uma dor estranha quando relembrar que sinto falta de seus abraços, carinhos, xingamentos e afetos. Nunca mais o verei, mas sempre o carregarei junto a mim, pois metade de mim mesmo é ele, e a outra metade de Albafica, também é ele. Nessas horas eu me pergunto: Ky, o que você fez com a minha cabeça? E respondo: Você deveria estar aqui comigo.

Fecho meus olhos e sorrio. Penso nos nossos momentos e sei que devo prosseguir. Amanhã é um novo dia e preciso ser forte. A morte é só mais uma parte desse mundo. Sei que Hades vai guardar um lugarzinho pra ele nos campos Elísios, e mesmo que não guarde, eu o resgatarei do inferno em que ele estiver. Não sou mais um Romeu, pois não tenho mais Julieta para devotar meu coração, mas agora, podem me chamar de Tristão, pois estou em duvida entre duas Isoldas. Solto o travesseiro do meu abraço mortal e me viro para o outro lado, me cobrindo com o lençol. O dia logo vai amanhecer e eu preciso estar disposto para o que der e vier. É... Não parece, mas eu estou triste.


FIM





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